Volta às aulas na Catavento: tempo de acolhida às famílias

Retorno é momento importante de conexão com a escola, quando se (re)estabelecem laços de confiança com pais e filhos.

Fevereiro na Catavento é tempo de acolher. Os alunos e alunas que retornam à rotina da escola; as educadoras e educadores, que retomam suas jornadas de trabalho; os alunos e alunas novos, que chegam à escola e são recebidos com muito carinho. Este período de retorno é, sobretudo, um tempo em que a escola abraça a família. “Recebemos as crianças de volta e também os novos alunos, mas acima de tudo, acolhemos as famílias; porque mães e pais também precisam de colo e abraço neste momento de adaptação”, conta Myrian Bayeux, diretora.

Ela conta que mesmo os alunos “antigos” voltam de longos períodos de férias e podem custar a se adaptar à rotina. Para ela, o mais importante neste período é que os pais e mães sintam-se também acolhidos, pois, desta forma, a criança vai se sentir segura em ficar na escola. Por isso, a recepção aos alunos é um momento tão sensível. “É fundamental que as famílias sintam confiança na escola. Pais e mães devem ver seus filhos felizes; e os filhos devem ver seus pais e mães tranquilos”, diz. 

Foi o que aconteceu com a família de Lygia (2 anos e 4 meses), recém-chegada na escola. “As diretoras sugeriram que a adaptação acontecesse durante o curso de férias; e isso foi interessante, porque foi acontecendo aos poucos para todos nós”, conta Fernanda Guimarães, mãe da aluna. “Tivemos uma razoável disponibilidade para acompanhar a adaptação em família. A irmã mais velha também estava junto E assim, a Lygia teve elementos familiares e elementos de uma acolhida muito legal para se adaptar. Hoje, ela chega na escola animada e fica numa boa. Volta cansada e feliz, que é como toda criança tem que voltar da escola!”, completa Fernanda. Leia abaixo a íntegra do depoimento de Fernanda.  

Carolina Ruivo Nicolau, mãe de Rafael (1ano e 1 mês) também ressalta a felicidade do filho como o melhor “termômetro” para medir o sucesso da escolha da escola. “Ver nosso filho nos dar tchau e voltar feliz é uma satisfação indescritível”, diz. Leia abaixo a íntegra do depoimento de Carolina.  

Já Rafael Soares, pai de Luca Soares (3 anos) conta que a adaptação está em processo. “Agora, depois de um mês, está tudo mais tranquilo, ainda que alguns dias ele ainda chore um pouco. Mas é assim mesmo”, explica o pai, relatando que o filho nutre pela escola um sentimento de entusiasmo, “mas a dificuldade é na hora de deixá-lo e ir embora”. “Ele ficava todo animado de manhã quando falamos que vamos para a escola, chega animado na escola e fica animado lá. Mas na hora de ele ficar sozinho, era uma choradeira. Depois que eu ia embora, ele ficava bem e quando eu chegava para buscá-lo, ele estava super feliz”, completa Rafael. Leia abaixo a íntegra do depoimento de Rafael.  

Casa de família

“Os primeiros dias são mais delicados inclusive para os que já frequentavam a escola, mas poucos dias depois de voltar, alguns deles já começam a reclamar quando os pais chegam para buscar, porque querem ficar mais tempo na escola”, conta Alice Neves Ribeiro, educadora que acompanha o G4. “A Catavento é uma casa de família. Aqui, todo mundo conhece todo mundo, chama todo mundo pelo nome, convive e brinca junto e livre. Isso dá para a escola um clima muito agradável e leve”, completa. 

Alice acaba de acolher as crianças do Grupamento 4 com muito carinho e diversão. “Vamos trabalhando de forma bem lenta este retorno, fazendo os combinados, dando poucas informações a cada dia; e assim, vamos construindo nossos pactos de cuidado com o ambiente, com os objetos de uso comum, as rotinas e a organização. Depois de estabelecidos alguns acordos, é deixar fluir”, explica, contando que muitas vezes esse deixar fluir vem acompanhado de música. “Eu uso a música como recurso, porque a melodia encanta as crianças e as conduz a outra dimensão”.  

Alice ressalta que este encantamento por meio do brincar é o maior valor da Catavento; e que cada espaço da escola é pensado para fazer as crianças se sentirem de fato, em uma casa que é feita para elas.

No vídeo, Alice afirma “é mais difícil (para os pais e mães) tirar as crianças daqui do que deixar”

Estes espaços foram (re)visitados pelos alunos e alunas neste início de ciclo. Por conta das reformas que aconteceram nas férias, alunos novos e os que já frequentavam a escola fizeram um “passeio” para conhecer as novas instalações. “Aproveitamos o retorno para mostrar cada cantinho novo da escola. E eles ficaram encantados”, conta Myrian.

DEPOIMENTOS

Carolina Ruivo Nicolau, mãe do Rafael (1ano e 1 mês)
Quando decidimos colocar o Rafa na escolinha, sentimos que deveria ser um lugar em que algum amigo tivesse colocado os filhos, para saber como foi a experiência e saber as qualidades e defeitos do lugar. Nosso amigo deixou a filha dos 6 meses aos 6 anos e disse que “parecia casa de avó”, com todo carinho e aconchego que uma casa de vó tem. Isso já nos deixou bem animados.
No primeiro dia de adaptação, o Rafa já ficou à vontade e brincou um pouquinho. Ficamos duas horinhas. Aproveitei e conversei bastante com a Edna e a Adélia sobre as minhas dúvidas.
No segundo dia, ele ficou mais tempo e eu fiquei na parte da frente da escola, sem que ele conseguisse me ver. Brincou, comeu e dormiu, sem problemas. Mas aí eu que comecei a sentir falta do meu pequeno. Então pensei que eu também estava em fase de adaptação. A Myriam me confortou e falou que era normal eu me sentir assim.
Terceiro dia eu já estava mais forte e feliz que a adaptação estava acontecendo de forma tranquila. A Adélia falou que eu podia ficar nas “redondezas”, que qualquer coisa elas me avisavam. Voltei só na hora do almoço, porque o Rafa tinha comido pouco. No dia seguinte fiquei mais tempo fora e voltei a ficar emotiva. O Rafa nem percebeu, porque comeu e dormiu como se estivesse em casa. No último dia percebi que nós estávamos adaptados.
Eu e meu marido percebemos que colocar o Rafa meio período já escolinha foi a melhor decisão que tomamos. Ele adora brincar com outras crianças e ter contato com outras pessoas. Ver nosso filho nos dar tchau e voltar feliz é uma satisfação indescritível.

Fernanda Guimarães, mãe da Lygia (2 anos e 4 meses)
Lygia vai à escola desde os 6 meses. Ao longo do desenvolvimento dela, notamos que ela é de personalidade e opinião fortes. Mas ela colabora e tende a ser bem fácil e alto astral, quando encontra um ambiente favorável. Nossa vida mudou muito este ano; e Heloisa (irmã mais velha, de 6 anos) foi estudar no Colégio São Domingos. Avaliamos que seria interessante que elas ficassem próximas e tínhamos uma indicação muito boa da Catavento. 
Adelia e Myrian sugeriram que ela fizesse a adaptação durante o curso de férias, que ainda não é no esquema de rotina… foi interessante, porque foi aos poucos para todos nós. Tivemos uma razoável disponibilidade para acompanhar a adaptação em família. A Heloisa também foi junto. Lygia teve uma atração imediata pelo brinquedão, que foi um grande aliado. Ela foi indo aos poucos: primeiro algumas horas, depois mais horas, até que fomos saindo de cena e deixando ela mais à vontade. 
Ligia confiou na escola e estabeleceu uma relação muito boa com o espaço e as pessoas. Primeiro, com o brinquedão, depois com as crianças, algumas com quem ela já convivia desde antes em outros âmbitos que não o escolar. Ela teve elementos familiares e elementos de uma acolhida muito legal. Hoje, ela chega na escola animada e fica numa boa. Volta cansada e feliz, que é como toda criança tem que voltar da escola!
As professoras e as diretoras foram fundamentais. Já viraram parte da vida dela. Teve momentos de choro quando chegava e logo ficava bem. É normal e ficamos tranquilos, porque vimos esta recepção.

Rafael Soares, pai do Luca Pandolfi Soares (3 anos)
A adaptação do Luca foi muito tranquila, ainda que com alguma dificuldade na hora de deixá-lo na escola e ir embora. Ele ficava todo animado de manhã quando falávamos que íamos para a escola, chegava animado na escola e ficava animado lá. Mas na hora de ele ficar lá e eu ir embora, era uma choradeira. Depois que eu ia, ele ficava bem e quando eu chegava para buscá-lo, ele estava super feliz.
Assim que chegávamos ele ia brincar com outras crianças no brinquedão, mas quando íamos embora, ele começava a chorar e não queria que deixássemos ele lá, sozinho.
Agora, depois de um mês, está tudo mais tranquilo, ainda que alguns dias ele ainda chore um pouco. Mas é assim mesmo. 
De tudo isso, foi muito importante que ele tivesse na escola pessoas que o acolhiam de imediato ao primeiro sinal do choro. Assim que o deixava, já chegava alguém perto para dar uma atenção mais exclusiva.

 

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