EQUIPE CATAVENTO – Leandro Camargo

Quando Leandro Camargo precisou definir o potencial da capoeira para a educação, ele não hesitou: “A capoeira prepara”, disse. E nesta definição que parece simples, está contida uma compreensão da centralidade desta arte (que também é uma luta e um esporte) para a formação de atletas, artistas, mas também de cidadãos. 

Isso porque, conforme explica o professor de capoeira da Catavento, dentro da capoeira – ainda que não de forma explícita – são trabalhadas habilidades como o saltar e o pular, o equilíbrio, a força, a lateralidade. “A capoeira prepara as crianças para iniciar outras práticas esportivas”, explica.

Além disso, através dos movimentos e das cantigas, a capoeira apresenta para as crianças o universo da cultura afro-brasileira e indígena. “Eu sei que não estou necessariamente formando capoeiristas, mas esta formação vai fazer com que elas não estranhem e expliquem para amigo ou familiar do que se trata quando tiverem contato com esta manifestação cultural”, diz. “A capoeira prepara as crianças para valores dentro da cultura brasileira”, explica.

Justamente por trabalhar a partir destas premissas, o professor conta que o grande desafio do contexto de pandemia tem sido o cuidado para que se mantenham respeitados os protocolos de segurança. “Não estamos buscando alto rendimento. Estamos usando o lúdico para educar as crianças para uma abertura para este universo”, afirma. 

Brincadeira de criança que virou profissão

Leandro conta que a faculdade de Educação Física (ele está concluindo o curso na Uninove) trouxe um embasamento para atuar na educação e ter um olhar de compreensão e atendimento da necessidade das crianças; mas foi a capoeira sua grande escola. “Tenho até uma música, em que digo que era uma brincadeira de criança, sem saber como vai parar. Sempre tive vontade de treinar, mas nunca foi minha intenção dar aula. Na capoeira, as coisas acontecem”, diz.

Ele lembra que foi através de seu irmão que ele conheceu uma professora que dava aula no Instituto Dom Bosco (Bom Retiro – SP), onde ele começou a treinar. “Permaneci na mesma escola por 16 anos e me formei professor de capoeira em 2009. Quando percebi, estava dando aula no espaço onde treinava e envolvido em projetos sociais”, recorda. 

E foi assim – no que parece ter sido força do acaso, mas que, na verdade, deve ter sido a força da capoeira -, que Leandro chegou na Catavento. “Um colega de sala me passou a divulgação da vaga no Instagram. Entrei, olhei a proposta da Escola e mandei uma mensagem sem pretensão alguma. E deu certo!”, lembra, celebrando o acolhimento que recebeu. “Fui muito bem recebido. Sou pura gratidão!”.

A brincadeira de criança que trouxe Leandro até aqui enche seus olhos de brilho “sou o que sou por conta da capoeira. E acho que é desse lugar que vem o amor dos capoeiristas pelo que fazem. Sou muito mais, por ser da capoeira”, conclui.