“É cedo para pensar na retomada, mas temos que nos preparar”

Em entrevista à Escola Catavento, o Infectologista Marcelo Neubauer falou sobre as especificidades da Educação Infantil e deu dicas de como a escola pode se organizar para criar um protocolo de retomada das atividades presenciais.

“Não sabemos quando vamos retomar as atividades presenciais na escola, mas já podemos pensar como vamos fazer isso”. Este foi o tom da conversa ao vivo, realizada pela Escola Catavento no último dia 23 de Junho com o Médico Infectologista Marcelo Neubauer.

Em diálogo com a jornalista Michelle Prazeres, Neubauer afirmou que “é cedo para falar em controle da pandemia” e que “os casos em São Paulo não dão sinais de regressão”, mas que as escolas devem começar a se preparar para o momento em que a retomada das atividades for necessária e possível.

“Retomar as atividades com casos subindo seria uma irresponsabilidade”, disse. O infectologista acredita que a Educação Infantil será o último segmento na escala de retorno. “As crianças pequenas não conseguem compreender a necessidade do isolamento e outras medidas que serão necessárias neste início da retomada”, explicou.

Na live, realizada no Instagram da Escola e disponível também no nosso canal no Youtube, o médico listou algumas medidas que acredita que serão necessárias em um eventual protocolo de retorno às atividades.

Confira algumas delas:

  • Medir a temperatura de todas as crianças e funcionários(as) na entrada e na saída da escola; usar preferencialmente termômetro de infravermelho, que não exige contato;
  • Apostar em medidas de ventilação; “pulverizar a escola todos os dias me parece um exagero. Penso que seja suficiente investir em uma limpeza rigorosa das superfícies”, disse Neubauer. Ele explicou que ventilar é importante, porque as doenças como a COVID-19 se alastram pelo confinamento e não pelo frio; “se o inverno ficar mais rigoroso, é melhor optar por agasalhar as crianças e deixa-las ao ar livre do que pelo confinamento em uma sala fechada ou com ventilação artificial”, disse; se for possível, exaustores podem ser uma boa saída;
  • Toalhas e lençóis devem ser trocados todos os dias e não devem ser compartilhados; caso a escola tenha um cantinho do sono, os colchonetes devem ser higienizados após o uso e/ou todos os dias;
  • Na porta da escola, deve-se evitar aglomerações; a escola pode criar uma agenda de horários para os períodos mais concorridos e – ainda assim – será necessário criar alguma política para a fila de familiares que pode se formar na porta nos momentos de chegada e saída das crianças;
  • As pessoas integrantes da equipe devem trocar de roupa ao chegar na escola; recomenda-se a constituição de um espaço para troca na entrada da escola. Caso não seja possível, que seja um lugar cujo caminho será higienizado após a circulação das pessoas que chegam da rua; o uso de aventais de tecidos descartáveis (como o TNT) é recomendado para a equipe e em situações pontuais, para circulação de pessoas pela escola;  
  • É preciso higienizar as malas e mochilas na chegada e na saída; pode-se usar um spray borrifador de álcool 70%;
  • Aconselha-se que as crianças já levem para a escola as mudas de roupa que usarão em uma semana, para que se evite ao máximo a circulação de roupas e materiais entre casa e escola;
  • Os materiais devem ficar em casa ou na escola, para se evitar ao máximo a circulação; caso seja necessário circular, é preciso higienizar quando se chega em casa e quando se chega na escola;
  • O uso de máscaras em crianças de até dois anos não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria; acima desta idade, todas devem usar e recomenda-se que se troque de máscara a cada período de duas horas; as máscaras de pano são mais recomendadas e devem ser lavadas com água e sabão;
  • Se aparecer algum caso confirmado, isolar os “comunicantes imediatos” da pessoa – aqueles(as) que possuem contato direto com o(a) diagnosticado(a);

O infectologista não recomenda o uso de testes rápidos. “Eles são pouco confiáveis”, diz. Caso apresente qualquer sintoma, a criança deve ser encaminhada ao pediatra e o adulto deve receber assistência médica. A recomendação é de isolamento para as pessoas sintomáticas. “Mesmo que seja uma febre, destas que as crianças costumam apresentar sem ser nada mais grave, a recomendação é de isolamento para todo caso suspeito”, diz Neubauer.

Os sintomas mais comuns da COVID-19 são febre, dor abdominal, tosse, falta de ar e perda do paladar e do olfato.

Assista a live na íntegra: