“O circo é inclusivo e dá sentido à ciência do corpo”

Entrevista com César Fabiano Lopes – fundador da escola de circo Portô Portér – sobre o potencial do circo para a educação e o desenvolvimento das crianças.  

O circo é uma das expressões presentes no Projeto Pedagógico da Catavento de 2020 “Criança, Arte e Movimento. No último dia 13 de março, os(as) alunos(as) da Escola fizeram um passeio até a escola de circo Portô Portér para conhecer, brincar e aprender com a metodologia chamada “circuito acrobático circense”.

César Fabiano Lopes, fundador da Portô Portér e pai do Antonio do Berçário I, nos explicou que a metodologia consiste em três momentos pedagógicos. “O primeiro momento é dos combinados: cuidar de si e do outro; o segundo diz respeito a ir para o circuito que é feito com elementos circenses: trapézio, tecido, equilíbrios. Pouco a pouco, as crianças vão entendendo o caminho e fazendo seus próprios caminhos, encontrando jeitos de transpor obstáculos ou fazer truques. Isso aguça a criatividade. O professor vai identificando os momentos ideais para inserir as técnicas de pegadas e rolamentos, por exemplo. O terceiro momento é o apresentar, quando a criança mostra o que fez. Este é o momento de avaliação do aluno e do educador”, informa.

O educador, que é graduado em Educação Física e – para desenvolver o projeto da escola – teve apoio do Centro de Inovação Empreendedorismo e Tecnologia da USP, fala do lado belo do trabalho com o circo. “No circo tem espaço para todo mundo. Um vai ser o equilibrista, outro o apresentador, outro tem mais talento para ser mágico, outros tem mais habilidade para serem acrobatas e malabaristas. O circo é um lugar inclusivo. Todos podem”, afirma.

Além do bem-estar, da motricidade, da criatividade e da inclusão, o circo proporciona sensações de êxito e autoria, que elevam a autoestima e a confiança das crianças. “A ideia da nossa escola surgiu quando percebemos que os alunos de circo se sentiam frustrados quando não conseguiam desenvolver certas habilidades e técnicas mais difíceis. Começamos a pesquisar e fomos encontrando estratégias pedagógicas para alunos terem êxito nos truques circenses. Quando eles conseguem, isso dá uma sensação de sucesso, de êxito”, explica.

César conta que ao perceber isso, ele e sua equipe foram criando objetos e aparelhos para as atividades e foram convidados pela USP para um processo de incubação no Centro de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo. “Depois de quatro anos, abrimos esta escola com a proposta de oferecer para crianças o circuito circense”, relembra.

César afirma que a “arte dá sentido à ciência do corpo”. E não tem idade certa para isso. A Portô Portér oferece o circuito acrobático lúdico circense para crianças e adolescentes, mas também tem programas de condicionamento físico para adultos e atividades voltadas para a terceira idade.

>> A Escola Catavento estabeleceu uma parceria com a Portô Portér para outras atividades que serão desenvolvidas ao longo do ano em função do projeto pedagógico.

Saiba mais sobre a Portô Portér
Rua João Ramalho, 729
contatoportoporter@gmail.com
https://www.portoporter.com.br/
Instagram: @portoporter

Veja alguns registros da visita realizada à Portô Portér.